A pausa da libélula

Em meio a ventania que me surpreendeu essa manhã, encontrei uma libélula agarrada ao capim limão. As folhas dançavam com velocidade e ela se sustentava com firmeza. Fiquei observando e pensei sobre a importância da pausa, sobre reconhecer limites, sobre quanto essa sabedoria nos liberta.

Libélulas são perfeitas em aerodinâmica e agilidade, me surpreendi em perceber uma tão imóvel e tão próxima que foi possível uma sessão fotográfica. Os meninos acompanharam a observação e perceberam que ela estava usando as asas para se equilibrar, para amenizar a ação do vento, só percebi depois que eles falaram. E como isso acontece no nosso dia a dia, olharmos sem enxergar, escutamos sem ouvir. Às vezes é uma questão de dedicar um tempo a mais com calma e alma, presença.

A libélula ficou ali aguentando firme por longos minutos, rodopiando no capim alto sendo fortaleza de si mesma. Quanto de coragem é necessário para acolher essa necessidade de diminuir o ritmo? Será que sabemos acolher nossa vulnerabilidade e ainda conscientes de nossas habilidades somos capazes de aguardar o vento passar? Entendo que esse estado de presença é como um grande passo a caminho da plenitude. Ela poderia ter investido toda sua força e competência na empreitada de vencer o vento, mas preferiu aguardar. Se resguardar. Tenho certeza que ela percebeu o quanto suas delicadas patas são fortes, o quanto é potente tomar uma decisão.

Não quero aqui fazer juízo de valor na escolha da corajosa libélula, até porque tudo isso é fruto da minha fértil imaginação. Mas não posso deixar de continuar a história já que algo importante ainda não foi dito. Aprendi muito com a possível escolha da habilidosa voadora, mas aprenderia também caso ela tivesse decidido enfrentar o vento. Poderia tecer aqui palavras de empoderamente e bravura em relação a uma libélula que decidiu encarar o vento. Coragem. Percebe que a coragem está relacionada com quem somos e não com o que a vida nos apresenta como obstáculo. Eu sempre achei ao contrário, que corajosos eram aqueles que se movimentavam, que enfrentavam desafios externos. Agora imagina o quanto de coragem é necessário para olhar para dentro e perceber as próprias fraquezas. Encarar as sombras.

Por isso que fico com a definição poética de coragem, já que agir com o coração abrange se relacionar com o que está dentro tanto quanto com o que está fora. Simples assim.

Desejo a você a coragem necessária para decidir voar enfrentando o vento ou pausar e segurar firme aguardando ele passar.

Com Carinho,

Dona Maria Flor.

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