Tangerina, mixirica ou bergamota?

Tangerina, mixirica, bergamota… Como você fala?

Não importa muito como se fala, acontece que tangerina me lembra férias na roça. Jabuticaba, manga, goiaba aos montes e para todos. Época que descascar a fruta era o maior dos meus problemas, mão pequena, casca grossa e gomos saborosos. Ainda gosto de cheiro que fica no ar, na roupa e em tudo ao redor. Há quem desgoste, e tudo bem.

Entre uma fruta e outra, vamos seguindo e nos adaptando às mudanças necessárias. Mais do que nunca o simples se faz necessário na rotina, resgatando nossas almas do caos instalado. O homeschooling tem sido exaustivo tanto para mim quanto para os meninos. Adaptações de horário, cronogramas, compromissos e do novo jeito de fazer as coisas. Outro dia li que “quando nada é certo, tudo é possível” concordei, principalmente porque de fato nada é certo. Ilusão nossa acreditar em qualquer estabilidade inventada, nem o chão que a gente pisa é estável…

Mas eu sou uma eterna apaixonada pelas possibilidades e nosso momento paraíso consiste em saborear a sobremesa ao sol em família. A atividade também inclui guerra de caroço, contagem dos gomos, e cortar a casca bem miúda para depoi fazer chá. Nos servimos da natureza e sua complexidade. Conversamos sobre as nuvens no céu e aprendo coisas sobre o universo. Percebemos a mudança no curso do sol, sentimos falta de algumas formigas, acompanhamos a evolução do ipê que está repleto de pompons. Logo, logo vai ter brilho amarelado no jardim.

Me parece que são essas as lembranças que ficam, assim como as da minha infância. Lembro pouco da escola, lembro muito das férias, dos momentos de liberdade e total integração com a natureza. E para enlouquecer alguns nutricionistas eu afirmo que comida conecta, é mais que alimento para o corpo, é alimento para alma. Para atravessar essa turbulência mundial nunca foi tão necessário nos alimentarmos de simplicidade. Comida é mais que alimento, de onde eu vejo é um elo sutil que nos conecta com memórias e pessoas.

Esses pequenos espaços de alegria me dão esperança, não acredito que voltaremos ao normal, até porque essa normalidade estava nos adoecendo. Encontraremos um novo caminho para seguir, uma nova maneira de fazer e conviver. É hora de testar possibilidades, fazer alguns ajustes, desapegar das vaidades que nos aprisionavam. A única coisa que não abro mão nessa travessia, é de saborear fruta fresca e tomar banho de sol… esse é um prazer que alimenta a minha alma agora e desde sempre.

Com carinho e aroma de tangerina,

Dona Maria Flor.

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