Granulado de chocolate e outras histórias…

Beijinho com granulado de chocolate. Receita do Davi.

Eu sei que venho falando muito sobre a sabedoria das crianças, mas nunca é demais trazer essa questão à tona, sinto que nunca entenderei perfeitamente a coragem infantil.

Mateus fez aniversário essa semana e fizemos alguns docinhos para comemorar. Acabou no dia seguinte, considerei que foi um sucesso total entre as crias. Inclusive questionaram quando seria o próximo aniversário da família, tinham interesses explícitos é claro. Junho, seria o mês.

Acontece que hoje cedo Davi faceiro me pediu para fazer docinhos de sobremesa, o diálogo foi mais ou menos assim:

– Hoje é sábado mãe! Faz docinhos pra sobremesa?

– Filho, hoje não é aniversário de ninguém, não é dia pra fazer docinho!

– E por que não?

O diálogo continuou mas o que me convenceu foi a pergunta, porque ela ecoou alto dentro do meu coração. É, eu conheço bem essa pergunta, mas parece que nas banalidades da vida esquecemos de nos questionar. Quando eu entrego um padrão para uma criança a primeira tentativa dela é quebrá-lo e isso acontece porque não faz sentido para a alma livre e criativa dos pequenos. O padrão engessa, reduz possibilidades, obtém sempre os mesmos resultados.

Já faz um tempo que ando buscando e recebendo coisas diferentes, soluções fora da caixa e por isso sem padrões pré estabelecidos. Correr o risco é temperar a existência. O roteiro nascer, crescer, fazer faculdade, trabalhar, casar, procriar, aposentar e morrer já não faz sentido pra mim, mas ainda assim nas delicadezas do dia a dia a gente opta pelo espaço confortável e quentinho que os padrões parecem oferecer. Tudo ilusão. A graça de ser humano é exatamente a capacidade que temos de criar e recriar, seguir por caminhos únicos e desafiadores.

Decidi fazer os docinhos, e depois de internalizar o problema um, eis que me deparei com outro: o coco ralado não era suficiente para colocar na massa e usar como cobertura. Sim, é uma receita de beijinho. Já que foi o Davi que teve a ideia chamei ele para me ajudar a resolver. Expliquei que o coco era pouco e que já tinha colocado na massa, teríamos docinhos de coco sem cobertura. Ele olhou para o armário e pude ver uma lâmpada surgindo no alto da cabeça. Em menos de 5 segundos ele pegou o pacote de granulado e deu na minha mão dizendo:

– E se a gente usar o granulado de chocolate do bolo? Vamos fazer um docinho especial!

E foi assim que esse texto me encontrou, ancorado na genialidade de uma criança que ainda conserva seu pensamento livre de padrões e amarras que limitam e condicionam. A grande sacada da vida é perceber a simplicidade das coisas, para receber a resposta certa precisamos fazer a pergunta certa.

E a questão que alimenta a inteligência criativa é essa “E se…?”. Já tentou? Diante de um problema seja ele profissional ou não essa pergunta abre portas! É uma chave múltipla que combina possibilidades, cenários e sensações, depois disso acredite as soluções se constroem.

Que a gente decida estar do lado das crianças para aprender com elas, para resgatar esse ser confiante e poderoso que ainda habita em algum lugar dentro do nosso coração.

Com Carinho,

Dona Maria Flor.

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